7 de maio de 2017

Suicídio (13 Reasons Why e Depressão)

Hannah Baker - 13 Reasons Why (Placcido)

Nessas últimas semanas tivemos um aumento significativo nas discussões sobre suicídio aqui no Brasil, isso se deve principalmente a mídia que tem gerado em torno do “jogo” Baleia Azul e a série da Netflix: 13 Reasons Why - “13 razões” em tradução qualquer...

O Baleia Azul é um jogo que aparentemente surgiu no VK, uma rede social Russa, no qual quem entra precisa passar a cumprir 50 desafios, desde a assistir horas e horas seguidas a algum tipo de mutilação, ao final de cumprir esses desafios, o sujeito precisa se suicidar para terminar o jogo. Já a série da Netflix, conta como uma jovem grava fitas explicando as 13 razões que a levaram ao suicídio, sendo que lista as pessoas "responsáveis" por isso.

Após refletir bastante sobre esse fenômeno (discussão sobre suicídio), cheguei a algumas conclusões.

A primeira impressão que temos é que a sociedade brasileira não está acostumada a tocar em um tema tão delicado, alguns discursos me soavam como: “só não falar de suicídio que ele deixa de existir”, algo bem semelhante a ideia difundida por aí de não se falar de preconceito racial, e isso obviamente é uma tolice. Não faz sentido imaginar que parar de falar de algo isso pare de existir, é um pensamento bem ilógico e nada empático. O que a série e o jogo estão trazendo é uma dificuldade pessoal da maioria de lidar com esse tema.

Aliado a isso passei a perceber uma distorção do que realmente seria o problema, falar que a série pode levar sujeitos a cometerem suicídio por decorrência do efeito Wether (explicação do efeito aqui), é simplesmente descartar a possibilidade de muitas outras pessoas se sentirem mobilizadas de alguma forma a não acontecer situação semelhante, usar o efeito Wether como argumento é voltar ao tópico acima, é dizer que é melhor deixar o assunto escondido do que discutir sobre ele. Obviamente, não temos como saber exatamente o que leva o sujeito a cometer tal ato, até por que isso nunca é linear.

Isso nos leva ao último tópico, eliciadores de resposta podem vir de qualquer lugar, e é bem diferente dependendo do sujeito, estou novamente repetindo que a causa de um suicídio não é uma série, música, pedra ou jogo, mas e qual seria então?

Por vezes é a depressão! Isso mesmo, quando falamos de um sujeito humano, nada é simples ou direto. A depressão é a principal causa de suicídios (mas não a única), e por isso devemos estar atentos a ela. Esclarecendo melhor, a depressão é uma patologia, é um estado rebaixado de humor que  pode ir de leve a grave. Na depressão pode haver pensamentos suicidas, e acontece de algumas pessoas cederem a esse impulso, por isso, sinais de tais tendências, precisam ser vistas como um pedido de socorro por parte daquela pessoa. Ela não deve ser considerada como “só uma tristeza”, ideia que muitos insistem em reproduzir por aí. O sujeito fica realmente debilitado, passa a ter uma série de pensamentos negativos, que vão desde o fracasso e vergonha a sentimentos como desesperança e desapego a vida, sendo ainda que essa condição pode até causar dores físicas. Precisamos estar atentos aos fatores que levam a depressão para tentar evita-la, e claro, buscarmos entender como lidar e/ou passar por ela.

A descrição que usei a cima para depressão vai de acordo com a personagem Hannah na série, no entanto, não podemos afirmar que ela estivesse depressiva, o que na verdade fica claro é que a protagonista passou a ter tais pensamentos negativos após os vários fatos decorrentes em sua vida. A série não amadurece o possível desespero por parte da moça, no entanto, deixa isso claro de uma forma bem mais realista na cena em que conversa com o conselheiro do colégio - por isso, estar atento a sinais de tais pensamentos é muito importante também por parte das pessoas que estão a volta. Apesar de apoiar que essa obra não tende a causar pensamentos suicidas, ela deve ser vista com muito cuidado, já que a própria fere algumas recomendações da ONU sobre como tratar o tema, (tais como: não atribuir culpa, publicar cartas ou imagens dos falecidos ou ainda mostrar formas eficientes de o fazer). Reforçando, a série precisa ser vista com olhos atentos, principalmente por quem tem ou teve algum caso relacionado a depressão.

Em resumo, levem a depressão a sério. Se você está lendo isso e sente algo do que descrevi, procure um profissional, (a Psicologia tem muito a contribuir tanto na prevenção quanto a superação), e também não esqueça de sempre que conseguir, conversar com sua família ou qualquer pessoa que considere mais próxima. Lembre-se, você não precisa enfrentar tudo sozinho.

Se possível, dê uma checada nos links abaixo, eles também são importantes. Um abraço!

Mais Informações:
CVV - Centro de Valorização a vida
Prevenção do Suicídio: Um recurso para conselheiros